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Os desafios do sector das TIC

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Pedro Sebastião Teta, Secretário de Estado das Tecnologias de Informação e simultaneamente Coordenador Executivo da Rede de Mediateca de Angola, participou recentemente no «Fórum angolano das telecomunicações e tecnologias de informação e comunicação» que se realizou no passado dia 11 de Março em Luanda. Para além de político, Pedro Sebastião Teta é também um reconhecido especialista internacional em tecnologias de informação e comunicação que deixou um importante contributo com a sua participação no painel dedicado à «Importância de um forte sector das TIC para o desenvolvimento dos negócios e o seu contributo para o crescimento do PIB».

Nos últimos 15 anos houve um crescimento sem precedentes no domínio das TIC. Primeiro por causa do surgimento das tecnologias Wireless.

Em 2002, pela primeira vez o número de telefones móveis ultrapassou a telefonia fixa e estima-se que em 2008 existiam já 4 bilhões de telefones móveis (Wireless Intelligence Report, 2008).

A telefonia móvel é muito importante para os países em vias de desenvolvimento graças à mobilidade, facilidade de uso, implementação flexível e, em certa medida, os seus custos reduzidos de implementação, permitindo que as populações das zonas rurais com parcos recursos financeiros possam estar conectados pela primeira vez, mesmo quando outras infraestruturas como os transportes, correios, serviços de saúde e financeiros ainda não estão presentes.

O mundo avança para uma economia baseada no conhecimento e caracterizada pela produção, distribuição e uso do conhecimento e da informação. Neste sentido, as TIC jogam um papel fundamental, tanto como sector inovador como instrumento de alavancagem para outros sectores da economia. A nível mundial, as TIC criam aproximadamente 5,4% do PIB “GDP” e poderão atingir 8,7% em 2021.

Para além das questões económicas, indiscutíveis no papel das TIC, é importante destacar o seu contributo na resolução dos problemas sociais, de várias formas, facilitando: o acesso à educação, os serviços de saúde, o aumento da eficiência da máquina governativa e a participação dos cidadãos no processo de tomada de decisões pelo Governo. As TIC promovem o legado cultural dos povos através da digitalização de conteúdos e garantem um maior acesso às pessoas com deficiências e mobilidade reduzida. Por fim, embora não exclusivamente, as TIC contribuem para a qualidade de vida dos cidadãos proporcionando-lhes conectividade entre todos e permitindo uma colaboração on-line.

Com a convergência entre as TI e as telecomunicações, que se torna cada vez mais uma realidade, as empresas aumentam a sua capitalização na prestação de serviços através das novas tecnologias. É mais do que evidente que as empresas que atuam no ramo das TIC encontram um mercado cada vez mais atrativo.

Contudo, deve ser tido em conta que se trata de um mercado complexo, com diferentes tipos de provedores, incluindo novos jogadores que lutam por espaços territoriais. As empresas que pretendem ter sucessos neste mercado têm que definir de uma forma correta suas estratégias, compreender perfeitamente o seu perímetro de competências, ter uma abordagem otimizada para preencher as lacunas do mercado e focalizar as barreiras organizacionais.

A convergência das TI com as telecomunicações não é um conceito novo. Foi usado pela primeira vez em 1997 (relatório de Dennis Stevenson para o governo do Reino Unido). Contudo a penetração da conectividade através da banda ultra larga e a nova geração de redes ‘queimaram’ por completo a divisória existente entre as TI e as telecomunicações;

As empresas fornecedoras de serviços estão a reagir em função destas mudanças. Os operadores de telecomunicações estão a diversificar cada vez mais a sua atividade para as áreas tradicionalmente ocupadas pelas empresas de TI face à pressão competitiva no mercado das telecomunicações e uma maior demanda em serviços convergentes.

É cada vez mais notória a aquisição de empresas de TI por parte dos operadores e telecomunicações, como nos casos da ‘Deutsch Telecom que comprou a Debis criando a T-Systems’ e da ‘British Telecom que adquiriu a Control Data Systems’. E na mesma tendência, no sentido inverso, cada vez mais as empresas tradicionais em TI movem-se para as telecomunicações e para os serviços de rede.

Os serviços modernos de TIC, como o cloud computing requerem conectividade.

Cinco fatores chave que estão a influenciar o mercado dos serviços TIC.

A mobilidade, com dispositivos móveis progressivamente mais sofisticados, a crescente velocidade de transmissão de dados móveis e o desenvolvimento de aplicações cada vez mais inovadoras. As comunicações unificadas com uma maior integração das aplicações de comunicações entre dispositivos fixos e dispositivos móveis. As redes sociais com o surgimento das tecnologias web-based e o investimento nos social media. A computação em nuvem (cloud computing) com novos modelos de negócio para os operadores, novas oportunidades de receitas para as empresas e novos serviços disponíveis para os consumidores. Os novos serviços baseados em tecnologia IP, com os sistemas VoIP (voice over IP) e os agora fundamentais sistemas de gestão de IP.

Efeitos macroeconómicos das TIC no crescimento e desenvolvimento

Nos últimos dez anos as TIC tornaram-se um dos sectores estratégicos no mundo desenvolvido. Hoje, jogam um papel importante na criação de emprego, no investimento, nos impostos e no aumento das receitas das empresas exportadoras.

Emprego – Por exemplo nas Filipinas, os serviços de TI garantiram mais de 1 milhão de empregos em 2010 e de acordo com um estudo do Banco Mundial em 2009 representaram 27% do mercado dos novos empregos. A telefonia móvel nos países africanos abaixo do Sahara garantiu empregos diretos e indiretos a mais de 3,5 milhões de pessoas e continua a crescer (Cheneau- loquay 2009).

Investimento – Estima-se que foi investido entre 2010 e 2012 um valor situado entre 85 e 98 bilhões de dólares na indústria da telefonia móvel nos países africanos a sul do Sahara e os investimentos em telecomunicações atingiram a fasquia dos 5 a 6% do total de investimentos na mesma região.

Receitas fiscais – O valor estimado de recolhas de receitas fiscais da indústria associada à telefonia móvel nos países africanos ascendeu entre 2000 e 2012 a mais de 71 bilhões de dólares, o que representa 7% do total desse tipo de receita (GSMA 2008). Por outro lado, as TIC são também elas próprias um potente instrumento de recolha de receitas fiscais, tornando as autoridades tributárias mais eficientes e aumentando de forma significativa os montantes angariados.

Exportação – As empresas que baseiam as suas atividades na exportação têm muito a ganhar com o uso da banda larga. A Internet de banda larga reduz os custos das comunicações internacionais, aumenta a disponibilidade de informação e permite o acesso facilitado aos mercados, tornando-as mais competitivas. O estudo «Clark e Wallsten» de 2006 demostrou que cada 1% de crescimento de usuários da Internet aumenta a capacidade de exportação dos países do Sul, para o Norte, na ordem dos 3,8%.

TIC como alavanca para o crescimento económico

Para além do impacto direto que as TIC têm na economia, como já ficou anteriormente justificado, existem efeitos indiretos na qualidade de vida individual com origem no acesso dos cidadãos às TIC, fundamentalmente em países e regiões onde as infraestruturas básicas são reduzidas ou quase inexistentes.

Sistemas financeiros – Em regiões de Angola, por exemplo, onde não existe uma forte presença do sector financeiro podem ser encontradas soluções através das TIC, utilizando a telefonia móvel e a Internet para transações financeiras. O Mobile Money está a mudar a forma de fazer comércio em todo o Mundo. No Quénia, a ‘safari.com’ tinha mais de 8 milhões de clientes e 9.000 agentes ao fim de dois anos de atividade, com as transações a ultrapassarem os 1,7 bilhões de dólares. A nível mundial existe pelo menos 1 bilhão de pessoas com telefone celular que não têm contas bancarias. E em Angola, qual é a situação?

Desenvolvimento do sector privado – As tecnologias de informação e comunicação não só promovem a inovação e criam novas oportunidades, como também alavancam a diversificação das atividades. Cibercafés, comércio de telemóveis e novos operadores bancários são alguns dos exemplos que podem ser muito mais abrangentes e se estendem muito para além do próprio setor das TIC, enquanto facilitadores de negócio.

Comércio e desenvolvimento rural – As TIC podem também desempenhar um papel importante no fomento da economia, melhorando o ambiente de negócios nas zonas rurais. Por exemplo evitando que camponeses percorram longas distâncias para obterem informações de preços do mercado. O uso da telefonia móvel pode reduzir os custos de pesquisa de preços por parte dos camponeses em 50% (Aker, 2008).

Sistemas de saúde – Também no setor a saúde as TIC contribuem para superar as dificuldades dos sistemas, aumentando a qualidade e a efetividade dos sistemas de saúde através do e-health, desde a gestão da informação médica, registo eletrónico dos pacientes e informação clinica, até ao ensino à distância do pessoal médico e paramédico, desenvolvimento de instrumentos TI para melhor gestão hospitalar , diagnósticos à distância e telemedicina.

Educação e formação – Com a formação on-line e off-line, as TIC permitem reduzir a importância da disponibilidade de tempo e da localização na educação e desenvolvimento de capacidades, abrindo novas oportunidades em especial nas zonas mais remotas. No ensino profissional, as TIC podem criar pontes que atenuem as lacunas existentes entre as áreas rurais e urbanas.

 
 

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